§ 1. Enquanto os budistas nos ensinam a enfrentar o sofrimento de modo racional e prático, padres e pastores insistem em discussões pobres e inúteis sobre o sábado, o diabo ou a quantidade de sandálias que Jesus de Nazaré tinha. O cristianismo popular está muito longe e muito atrás dos ensinamentos do nobre Buda. Compará-los equivale a perceber a diferença intelectual entre um aluno estúpido e seu professor brilhante.
§ 2. Infelizmente, quase todos os pais, sendo inseguros, interpretam os filhos, conscientemente ou não, como um objeto feito para gerar satisfação, mas não uma pessoa com subjetividade própria. Assim, na tentativa de compensar sua autoestima débil, é comum que esses pais busquem aprovação social mediante os filhos ou, mais especificamente, o “orgulho” que eles causam.
§ 3. Se o homem é “bom por natureza”, como afirmam os ingênuos, então originalmente só havia homens bons em uma sociedade inevitavelmente boa. Assim, temos que perguntar de onde veio o primeiro homem mau que gerou a corrupção que degradou os bons.
§ 4. Na tentativa de explicar por que motivo uma tragédia ocorre, quando afirmamos de modo insensato ou tosco que Deus seja misterioso ou respeite o nosso livre-arbítrio, na verdade não fazemos mais do que incorporar um critério rudimentar e ordinário de escapismo para fugir da pergunta, porque não sabemos como responder de modo racional ou realista. (Essa crítica foi feita para padres, pastores e jumentos).
§ 5. Não somos seres materiais que têm experiências espirituais: justamente o contrário é correto, meu caro Watson! — (Shh... Somos espirituais tendo experiências materiais).