O BAÚ DO TESOURO

//     A árvore que se desgasta perigosamente só para obter mais adubo é louca; ela não deve ser imitada porque foi enganada, seduzida e alienada a ponto de aceitar que seja uma das mais valiosas peças no maquinário do madeireiro. Entendeu? Seria melhor que permanecesse quieta e aceitasse com gratidão o cocô dos pássaros.

Acredito com firmeza no seguinte, no quesito profissão. Tanto mais inteligente alguém é, mais tende a preferir, demandar e manter algum emprego não-estressante, livre de conflito e tensão. O salário é menos, bem menos lucrativo do que a *qualidade de vida* para intelectos avançados, incomuns e exemplares desse tipo. Esses camaradas nem perdem seu tempo e energia tentando se convencer da “utilidade”, “vantagem” ou “importância” dos padrões luxuosos de vida; sobretudo por enxergar de maneira inequívoca e bem lógica o elo entre o luxo, o supérfluo e a desigualdade: além disso, não precisam do reconhecimento alheio.

Comentando de modo simples, o fator dominante nesse cenário não é outro senão a valorização da própria vida pessoal e do progresso coletivo: na verdade, homens inteligentes prestam menos autoridade ao dinheiro e mais ao sossego. Mas por azar, hoje os donos da força política são bandidos que preferem morrer a organizar a tribo do jeito oportuno, mais razoável e democrático; obviamente, são capazes de matar três vezes o mesmo eleitor só para garantir um rolo macio de papel higiênico cheiroso e alguns lenços umedecidos... Essas lombrigas mentirosas, repulsivas & imorais são terríveis ao organismo social, caramba!