O BAÚ DO TESOURO

Independente do seu ideário, faça caridade. Que o azul não mate o branco por causa de superstição religiosa, qualquer gênero de intransigência ou a cor do céu diurno. Quem acredita no Divino sabe que Ele exista precisamente como sabem que não exista os que não acreditam. Onde a verdade pode ser localizada nesse tipo de contexto, heim? Como detectar o falso, evidente ou mesmo inalcançável à investigação do intelecto? Há fatos mais empíricos ou menos? Até onde a parcialidade se desdobra? Se as folhas de palmeira acreditassem no Senhor dos Exércitos, sua crença, intelecto e vida diária com certeza O pintariam de verde. A "realidade objetiva", igual à fé pessoal, é uma fabricação ideológica da qual somos autores nós próprios. Entretanto, algo é absolutamente certo, invencível e lógico – a existência existe. Além disso, o que mais é completamente irrevogável?

Quando a mente humana projeta arbitrariamente um mundo de fantasia, tendência e dualidade para si mesma e resolve habitá-lo, ela, de forma imaginativa, astuta e prática, também cria algum Deus para cuidar dele. Depois, "afasta-se" da própria invenção através da crença na tríade constituída por sujeito, percepção e objeto. Em resumo, a mente se usa para forjar o sentimento de separatividade e, portanto, a impressão do eu ser diferente do outro. Entendeu essa perspectiva? Se não, vire a cabeça e os olhos; tente vê-la por outro ângulo. É bem útil compreender. O instrumento mental age desse jeito porquanto foi programado. Quem somos nós? Quando, porém, tal criação é anulada pelo sono profundo, se quer um exemplo, ambos, o mundo e até o Poder Maior, desaparecem; logo, a própria existência mental é apagada. Nossa! Até a consciência reflexiva é dissolvida nesse quadro de profunda inconsciência! O que é natural do começo ao fim, não podendo ser de outra maneira, ué: na verdade, inclusive ela é outro produto abstrato de cunho secundário.

Seja como for, continuo apostando minha vida e todas as fichas na autoridade presente no ato caridoso, já que seja, sobretudo, capaz de nos aproximar, nós, os seres vivos. Isso porque entendi de maneira clara e firme que a paz seja o mais importante a ser conquistado porque, em primeiro lugar, esteja com precisão na base da anulação de quaisquer sentimentos, conceitos ou atos separatistas. Ademais, o valor da ação amorosa é incondicionado; não se pode relativizá-lo. O resto é olho aberto ou fechado, mais dentes na boca ou menos, pepino cheiroso ou não...