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O pastor nos
assegura, seduz e aliena (ou sequer tenta): “Quem realiza a vontade de Deus sente paz”. Só para
completar – “E eu posso
levá-los a Ele, basta me seguir”. Isso não é muito coincidente e suspeito?
< 2 >
O famoso
livre-arbítrio é ilusório porque qualquer manifestação de vontade é, em seu
próprio âmago e natureza, involuntária; o consciente analítico é, por assim
dizer, o resultado fisiológico de ações inconscientes: de
fato, somos tão livres para respirar enquanto dormimos ou proceder à digestão
ao conversar sobre elétrons como para sentir, ter idéias ou nos considerar
emancipados. Inclusive a sensação de liberdade é tão condicionada quanto a de
fome, sede ou acasalamento. O mesmo é válido aos outros animais e também
vegetais – na verdade, se pudéssemos aplicar consciência reflexiva às plantas,
elas defenderiam o florescer como postura embasada no alvedrio. *A
autoconsciência naturalmente se confunde com o objeto pelo qual observa*.
< 3 >
Em muitos
contextos, o cristianismo é a cruz do cristão. Da mesma forma e em acepção
igual, o ateísmo costuma ser o inferno do ateu. O que fazer, então? Como agir
em quadros assim? Onde pisar para não afundar mais? É simples, na verdade;
basta ser coerente. Apenas quem se queimou deve temer o fogo.