O BAÚ DO TESOURO

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O pastor nos assegura, seduz e aliena (ou sequer tenta): “Quem realiza a vontade de Deus sente paz”. Só para completar  “E eu posso levá-los a Ele, basta me seguir”. Isso não é muito coincidente e suspeito?

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O famoso livre-arbítrio é ilusório porque qualquer manifestação de vontade é, em seu próprio âmago e natureza, involuntária; o consciente analítico é, por assim dizer, o resultado fisiológico de ações inconscientes: de fato, somos tão livres para respirar enquanto dormimos ou proceder à digestão ao conversar sobre elétrons como para sentir, ter idéias ou nos considerar emancipados. Inclusive a sensação de liberdade é tão condicionada quanto a de fome, sede ou acasalamento. O mesmo é válido aos outros animais e também vegetais – na verdade, se pudéssemos aplicar consciência reflexiva às plantas, elas defenderiam o florescer como postura embasada no alvedrio. *A autoconsciência naturalmente se confunde com o objeto pelo qual observa*.

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Em muitos contextos, o cristianismo é a cruz do cristão. Da mesma forma e em acepção igual, o ateísmo costuma ser o inferno do ateu. O que fazer, então? Como agir em quadros assim? Onde pisar para não afundar mais? É simples, na verdade; basta ser coerente. Apenas quem se queimou deve temer o fogo.