< Sobre as travestis e a vontade de potência masculina >
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É hora de ouvir o psicólogo; ou
sequer emprestar os ouvidos a ele. Seu raciocínio é pungente igual ao limão,
sadio como o gado forte e mais provocante do que uma prostituta.
O sexo envolve, com certeza,
relações de poder. Ao homem, ocorra de maneira voluntária ou não, a sensação de
força é maior, mais prazerosa e ampla quando subjuga outro homem, ainda que “disfarçado” de mulher, seja na guerra ou no quarto. A causa – como em qualquer outro duelo, o macho costuma
optar por vencer outros machos para expressar com mais efetividade sua força,
autoridade e domínio a si e ao seu bando: na verdade, até as
raízes da política podem ser achadas nesse terreno fértil. Além disso, esse
gênero localizado entre o masculino e o feminino ostenta a formosura da mulher,
todo o seu charme e sensualidade; ai! Simplificando, não é à toa que esse tipo de menina faça tanto sucesso entre os meninos...
Em síntese, a travesti é a “fêmea guerreira” que dá ao seu parceiro, sobretudo, o ensejo de praticar seu império e ser
o dono da espada vitoriosa, postulando ser ele o marcador de território na relação, em duelos dos quais as mulheres não costumam ou, naturalmente, não podem participar. Se a “boneca aguerrida”, contudo, for o dominante, então veremos, de novo entre dois homens, um foco de controle em disputa. Seja como for, interações dessa espécie são tão curiosas quanto esclarecedoras. Entendeu, enfim? Eh! O primata humano é
admirável, intrigante e engenhoso.